• Ivan Milazzotti
    O Zen e a Arte da Escrita
    18-09-2025 16:15:44
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Temos nossas artes
Então não morreremos de verdade

Só conhece o real? Caia morto.

Assim disse Nietzsche.

Temos nossas artes, então não morreremos de verdade.

O mundo é exagero conosco.

A inundação dura mais que quarenta dias.

O gado que pasta em pastos distantes são lobos.

O relógio que faz tique-taque na sua cabeça é o tempo de verdade

E que de noite vai enterrar você.

De madrugada, as crianças cálidas da cama vão partir

E tomar seu coração e seguir para mundos que você desconhece.

E, sendo assim,

Precisamos de nossas artes para aprender a respirar

E bombear o nosso sangue; aceitar a vizinhança do diabo,

E a época e a escuridão e os carros que nos abusam,

E ser palhaço com a cabeça da morte em si,

Ou o crânio vestido com a coroa do tolo

E tocar sinos da cor de sangue e murmurar chocalhos

Que causam terremotos nos ossos no porão tarde da noite.

Tudo isso, isso, isso, tudo isso – é demais!

Parte o coração!

Então? Encontre a arte.

Apanhe o pincel. Posicione-se. Sapateie de mentira. Dance.

Corra a corrida. Tente o poema. Escreva uma peça.

Milton faz mais do que pode fazer um deus bêbado

Para justificar o jeito do homem para o homem.

E Melville, divagando, assume a tarefa

De encontrar a máscara por debaixo da máscara.

E o sermão de Emily D. mostra a anomalia do homem.

Lixo.

E Shakespeare envenena o dardo da morte,

E que a escavação de uma cova afia uma arte.

E Poe, adivinhando ondas de sangue,

Constrói uma arca de ossos para navegar o dilúvio.

A morte, então, instrumento doloroso de sabedoria,

Com fórceps da arte, puxa a verdade,

E solda o abismo onde ela estava

Escondida profundamente na escuridão e no tempo e na causa.

Embora a larva devore o nosso coração.

Com a boca de Yorick gritamos “Obrigado!” à arte.